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    O processo de apropriação do texto “Delírio a Dois” do Eugène Ionesco, teve inicio com a sua tradução do francês “Délire à Deux” e no processo de montagem, a ordem das cenas foi modificada, algumas suprimidas, outras criadas, e colocadas em diálogo com pensamentos e reflexões do próprio Ionesco. Contudo, procuramos não perder o caráter de descontinuidade dos diálogos e esvaziamento das personagens, traços peculiares não apenas do texto trabalhado, mas da obra dramatúrgica como um todo do autor.

   

   Tendo como pretexto a obra do Eugene Ionesco, o espetáculo potencializa e problematiza a atual crise de alteridade da sociedade contemporânea. Mesmo em tom de comédia, trata de maneira séria nosso atual contexto sócio-cultural, político e filosófico. Situação cada vez mais critica em que a religião, liberdade de expressão, ideologias, justiça tem se tornado argumento cada vez mais banal para matar, destruir; para expor a agressividade fundamental, o ódio profundo que o homem tem pelo homem.

 

   Como proposta de experimentação, o espetáculo transita por diferentes espaços, cada qual oferecendo um modo diferente de construção narrativa, de relação com o contexto físico e de diálogo com o público: o palco italiano, mais tradicional; Espaços não convencionais que funcionam como espaços de memoria coletiva e em formato de intervenção, onde o público torna-se atuante e a narrativa esta vinculada ao próprio fluxo da cidade.

 

 

ABISMO?

ABISMO?

    [Abismo] aponta para o transbordamento e perda da referência canônica da linguagem, característica latente na contemporaneidade e muito presente no texto de Ionesco. Linguagem que ao se esvaziar de sentido reverbera na própria maneira do homem se relacionar consigo, com o outro, com o mundo, particularidade que procuramos enfatizar também na encenação. Para nós, Abismo diz respeito ao espaço insondável que marca o caráter aporético de toda relação entre o eu e o outro; interior e exterior, impossível de concretização, mas que, ao mesmo tempo, não nos é permitida a fuga.

 

    Num dia comum, duas personagens não reconhecíveis surgem ao acaso. O lugar é estranho, a situação incomum. O que se vê são caricaturas que se perdem do sentido convencional. Surdos, loucos, irracionais, são reflexo de suas angustias, desejos sombrios, contradições interiores que se materializam na forma de um diálogo estúpido que surge do sentimento de incerteza, de perda da referência. O universo burlesco e desesperado, marcado pela indeterminação, é o transbordamento dessa situação ridícula.

 

SINOPSE

ENCENAÇÃO

© 2015 por [ABISMO], Orgulhosamente criado com Wix.com

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